EL HOMBRE DEL CARTÓN; Leia a crônica do professor Ailton Elisiário

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

    Neste último dia 27 um amigo deixou nossa convivência. Repentinamente seu coração parou de bater, de pulsar no ritmo costumeiro de seu viver. Embora enfrentando com vigor aquela maldita doença que tem ceifado muitas vidas em todo o mundo, não foi dela que ele expirou. Talvez, pelas preocupações sociais que lhe não saiam da mente, sacerdote que foi pugnando pelo povo de Deus, professor admirado por seus alunos, chefe de família honrado e dedicado.
    Tive o privilégio de ser membro do seu círculo de amizade. Durante anos exercemos o magistério, tanto na antiga Universidade Regional do Nordeste, hoje UEPB, quanto na então Universidade Federal da Paraíba, hoje UFCG. Ele na cátedra de História e eu na de Economia. Falo de Cipriano Calvarro Martin, espanhol naturalizado brasileiro que aqui chegou trazendo a Palavra de Cristo nos confins do sertão da Paraíba, aonde sendo capelão das Irmãs Carmelitas do Convento de Itaporanga, em 1963 veio a ser o primeiro vigário da paróquia de Nossa Senhora da Conceição, da cidade de Diamante.
    Chegando a Campina Grande veio a lecionar no Colégio Diocesano Pio XI, sucursal do Catolé. Embora ordenado e convicto de sua missão religiosa, nesta cidade teve o seu coração balançado por uma minha amiga lá do INSS, Socorro Loureiro, que o fez pedir ao bispo diocesano a suspensão do sacramento da ordem e passá-lo pelo sacramento do matrimônio.
    Lembro-me que quando finalizava os preparativos para seu casamento, Cipriano dirigiu-se ao saudoso amigo Estevão Vilar, à época diretor financeiro da FURNE, solicitando-lhe pagamento de férias, para que pudesse gozar sua lua de mel. Estevão, porém, se predispôs apenas a liberar o cartão de compras de O Veleiro, mercado com o qual a FURNE mantinha convênio para os professores e funcionários fazerem suas feiras para desconto na folha de salário.
    Qual não foi a indignação de Cipriano que dizia que não queria “cartón” nenhum para fazer feira, mas sim dinheiro para poder viajar em lua de mel. E sempre que me encontrava com Cipriano, dirigia-me a ele e em tom de brincadeira o saudava como “el hombre del cartón”, ao que ele mesmo rindo ainda censurava o que Estevão lhe havia feito. Com esta lembrança registro minha singela homenagem a tão ilustre e querido amigo.

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