
Porto Alegre - De olho na Conferência das Nações Unidas sobre
Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que ocorre em junho, no Rio de
Janeiro, o Fórum Social Temático (FST) termina hoje (29) em Porto Alegre
com uma agenda de propostas alternativas à negociação formal que será
conduzida pelos governos na conferência.
Com o tema Crise Capitalista, Justiça Social e Ambiental, o FST foi a
primeira etapa da Cúpula dos Povos, reunião que deverá acontecer
paralelamente à Rio+20, como contraponto às negociações formais, em um
espaço de manifestação da sociedade civil organizada.
A principal crítica levantada durante os debates do FST foi,
justamente, em relação ao conceito de economia verde, tema central da
conferência. As organizações argumentam que o modelo vai apenas repetir a
lógica do capitalismo, com a “mercantilização da natureza” e a
manutenção das desigualdades. O líder do Movimento dos Trabalhadores
Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, chegou a dizer que a Rio+20
será apenas “um teatro governamental”.
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que aproveitou o FST
para tentar articular as posições do governo com as da sociedade civil
para a Rio+20, rebateu as críticas e disse que confia na força da
sociedade civil brasileira e mundial para que o evento no Rio tenha
êxito.
A Rio+20 também foi lembrada no discurso da presidenta Dilma Rousseff,
que esteve no FST na quinta-feira (26) para um diálogo com
representantes da sociedade civil. Dilma defendeu a criação de metas de
desenvolvimento sustentável na conferência e articulação direta entre
medidas ambientais e de combate à pobreza.
Apesar de bem-recebida pelos movimentos sociais na primeira
participação dela em um evento do Fórum Social Mundial como chefe de
Estado, Dilma não escapou das críticas. Ativistas cobraram propostas
alternativas à economia verde e de mais diálogo da presidenta com os
movimentos sociais.
As questões ambientais e a Rio+20 dividiram espaço com debates de temas
tradicionais do Fórum Social Mundial, como a crítica ao neoliberalismo,
a defesa de causas sindicais e o fortalecimento da educação. O direito à
memória foi tema de um dos eventos mais concorridos da semana, em que o
sociólogo e jornalista Ignacio Ramonet defendeu a instalação de
comissões da verdade e o direito coletivo de acesso a memórias de
ditaduras para que as violações de direitos humanos nesse períodos não
sejam esquecidos nem repetidos.
No Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, o tema também virou
assunto no FST, com um evento que lembrou os oito anos do assassinato de
três fiscais do trabalho, no episódio conhecido como Chacina de Unaí.
Procuradores cobraram respostas do Poder Judiciário, que ainda não levou
a julgamento os nove indiciados pelos crimes, entre eles, o prefeito da
cidade mineira de Unaí, Antério Mânica, e o irmão dele, Norberto
Mãnica, acusados de serem os mandantes.
A ministra de Direitos Humanos, Maria do Rosário, disse que a aprovação
da Proposta de Emenda à Constituição nº 438/2001, conhecida como PEC do
Trabalho Escravo, será a prioridade legislativa da secretaria este ano.
Além do FST, em Porto Alegre, mais 25 eventos devem compor a agenda do
Fórum Social Mundial em 2012, entre eles o Fórum Social Palestina Livre,
marcado para o fim de novembro, também na capital gaúcha.
Acompanhe a cobertura completa do FST 2012 no site multimídia da Empresa Brasil de Comunicação (EBC)
Da redação do blog com a Agência Brasil
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